segunda-feira, 11 de junho de 2012

Desconheço

A vida como um conta gotas na tua mão, as medidas pouco medidas.
Tenho minhas dúvidas sobre o valor de um conhecer por inteiro ou um conhecer por extenso. Seriam ambos engajados em duas únicas palavras: sei tudo? Seriam totalmente separados na maternidade?
O que me diz ao conhecer por inteiro é quando ouvimos os conselhos das mães 10 minutos antes de nos tocarmos numa noite a fora ou numa vida adentro, sabemos todos eles decorados e todos findam em algo do tipo: cuide-se. É, sabemos o inteiro. Mas e quanto ao que realmente se passa atrás daquele mecanismo de palavras que saem como raios rígidos de sua boca?
Quando caminhando por ali, por aqui, passo por alguém que esteja comendo uma maçã (o que acontece raramente), reparo no como conheço por extenso esse processo, como é fácil explicar as mordidas, explicar o gosto, explicar a espessura... Mas e quanto às sementes a mais que tinham nessa que vi? Quanto ao sabor que ela pode obter nesta época do ano, diferente da que passou?
O fato é que um 4 somente é 4 até ser somado à 1 e virar 5. Um 8 só é 8 até o momento de se posicionar do lado de um 3 e virar 38. Até onde sabemos tudo?
"Não peça perdão, a culpa não é sua... Estamos no mesmo barco, e ele ainda flutua..."
Um pouco de Gessinger, hoje lendo alguma coisa do seu Mapas do Acaso, me fez lembrar dessa música que não saiu da cabeça até então.
Talvez muito se conheça sobre pouco, e pouco se conheça sobre muito.
Até onde a vontade vai até a metade?
Desconheço.

sábado, 2 de junho de 2012

Desate

Secos os ventos que batem na porta do peito
Inclinam sobre este corpo tenso
Insaciáveis desejos de libertação.
Nó na garganta, frio no interior
Deixo a respiração passar à frente de meus passos
Queimo mais alguns maços
Fecho os olhos e deixo a chuva me embriagar nesta tarde.