segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Estrada formosa, palavra sinuosa

Seguindo a linha do pensamento
Fugindo do pulsar sentimento
Eis que surge a certeza de que não importa
O quanto imploramos por sustento

Sigo com a mão na alma
Sigo o caminhar desta estrada
Que às vezes se mostra alheia a calma
Mas evidencia a serenata em minha palma

São tantas as espécies que passo
Árvores e pássaros
Tantas espécimes que me desnorteiam
Desde a grandeza da mulher mesmo que pequena
Ao minúsculo grão de areia
Ambos formando a imensidão deste meu verso
Humilde, sem eira e nem beira
Mas que dança com o canto de uma sereia

Mulher, areia, verso, sereia
Que tal juntarmos esses quatro num só?
Podes imaginar onde finda esta brincadeira...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Hoje

Hoje, nem a lua pode me deter
Hoje, nem aquelas estrelas,
Que costumavam me guiar
Puderam ser suficiente
Hoje, berrei uma saudade
Hoje, ouvi uma voz boa
Que me fez sentir tranquilidade
Mas nem isso
Nem a voz que me traz saudade
Nem a voz que mais convivi em meus momentos,
De verdade e insanidade
Nem mesmo essa voz que me fazia tão tranquila
Conseguiu me desviar de em ti pensar
Em ti querer estar
É louco esse momento no qual me encontro
É insano, momentâneo confesso
Mas que traz a tona todos meus sentimentos
Escolhas feitas por mim
Que podem me afastar do meu melhor
Mas o que fazer nessa dúvida?
Não tem cor, tímida
E hoje, daria tudo pra dizer,
O quanto este hoje foi doído pro meu coração
O quanto este hoje te quis, mesmo que em vão

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Loucura do amanhecer

Os dias vão passando como as águas de uma corredeira
As noites se alargando como elásticos velhos
Cedendo, perdendo a força e o sentido
Acordar de manhã ao som daquela música
É retroceder aos dias de intensidade
Mas diante disso
Fecho os olhos, peço por um dia colorido
Sinto o cheiro de vontade entrar pelo meu quarto
Invadir todos os cantos, não me dando chance de fuga
Então abraço essa loucura
Afinal, não ter alguém do lado pra te dar uma mordida de bom dia
Acaba sendo menos gritante, efusivo
E a velha alucinação de suportar o dia a dia
Acaba sendo uma dádiva
Um nascimento a cada momento
Uma descoberta sobre mim mesma

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ontem para os dias que virão

E foi no ontem que me completei de pôr do sol
E foi no ontem que tive a liberdade de escolher fazer o bem,
Diante daquelas lágrimas de tristeza e decepção
Que caiam daqueles olhos
E, ainda no ontem
Percebi que uma energia boa e quente
Me fez uma pessoa melhor
Fazendo valer por hoje e amanhã
Aquela tarde de ontem

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Além do Corpo

Posso ter meu coração quebrado
A espinha ferida
Mas minha alma é como um cavalo alado
Que vai, sem pressa
Suas asas a levam de jardim à jardim
Em cada cor vista
Cada sabor que em mim arremessa
Uma força deita em meu peito.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Noticie!

E vemos nosso solo sagrado
Inundado pela poluição
Pra onde vão todas as almas
Que carregam consigo somente a destruição?

E por mais que difícil, deve-se acreditar
Que mesmo em tanta dor, fome e agústia
Que mesmo em poder, pudor
Temos aquele igual coração
Batendo frenéticamente
Uns somente pelo lamentável ouro
Outros pela linda humildade
Ambos da mesma matéria
Da mesma fonte de energia
Qual o meu? Qual o seu?

Resta dizer por aí
Espalhar a notícia
De que nessa injustiça
Nossas origens estão no que hoje chora
Mas que podemos fazer voltar a sorrir...

domingo, 11 de setembro de 2011

Deixar estar

Vamos variar um pouco
Transcedendo o fogo que habita no antigo lar
Aquele que por mera coincidência
Insiste em permanecer como uma chama acesa
Na verdade,
Não insiste, apenas não apaga
Não deixa que os dias de vento
Sejam maiores que o arder em suas paredes
Tão grossas e indestrutíveis como a de um forte
Que não nos lembram uma guerra cerrada
E sim olhos fechados, momentos calados
Onde apenas o sentir fazia sentido
E o sentido estava sempre perdido
Nossa guia era apenas o momento
Sem sabermos quando e onde queimaria novamente
E, minha cara
Minhas únicas certezas eram o que os olhos berravam
E o que o sorriso em minha direção
Jamais conseguiu desviar...
Volte ao mar e deixe teus pés tocar
Tenho certeza que ficará mais fácil
De transcender o que jamais se findou...

domingo, 28 de agosto de 2011

Passagem

Pois bem, assim retorno
Retorno para minhas finas teias
Resistentes, confesso
Como a força do sangue nas veias

Pois bem, assim retorno
E os dias passam, o gosto fica
E a chuva que hoje caiu
Foi de encontro a mim
Simbolizou-me pela sua breve passagem
Breve que seja, porém sempre intensa

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cristais na Varanda

Olha só onde me encontro!
Acabo de despertar de um sono
E já me vejo em outro sonho
Seria o anúncio dos Deuses,
Bem ali, diante dos meus olhos?
Seria minha alma que sempre aventureira,
Busca novos sentidos e formas?
E por incrível que pareça
Não é somente um sonho
Nem tampouco o anúncio
Ou ainda minha aventurosa alma
Não!
É o amanhecer!
O cheiro das ervas no campo
Que felizmente ainda posso sentir
Gritando por suas permanências na terra
É o amanhecer!
Divino sol que me faz acordar
Que despeja seus raios, como cristais
Na varanda de meu corpo
Me chamando para a vida
E, para acima de tudo
Cuidar da vida, aquela pura e renovante natureza
Aquela que nunca permanece a mesma
Sempre abundante e única ao coração limpo
É o amanhecer!
No qual finalmente inspiro-me
Porque é nele que sempre acredito
E mesmo em tanta confusão mundana
Será sempre o mais precioso e bendito!

domingo, 21 de agosto de 2011

Nua

E então ela despiu-se
E num ato de coragem, correu ao centro
Abraçou o frio monumento
De uma jovem que não possuía mais cor, nem alma
Percebendo no forte e libertino vento
Que nada adianta uma ação transformadora
Agarrar-se no que não há mais sentimento


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Erva Amarga

Não se pode acreditar
Em tudo que os olhos úmidos de encanto vêem
A fantasia tolerável batendo à porta dos desejos
Que por alguém,
No assovio do fogo,
No queimar dos ventos,
Mantive oculto, e jamais pronunciado
E nem mesmo naqueles dias de luta
Naquelas vitórias gloriosas,
Perdas apreensivas
Nunca, jamais senti esse repúdio, desgosto
Malquerer esse que tu me apresenta
Amargo esse que faz da tua pele algo insalubre
E aquela erva suculenta que plantei em teu peito
Torna-se seca e sem vida em plena primavera
Esperaria eu um dia poder ver isto?
Não, nem em anos de delírio saboroso
Nem em minutos arrastados de saudade...

domingo, 26 de junho de 2011

Chuva da Noite

E por hoje, acredito que já basta
Já fui em tanto lugar
No que eu mais queria
E no que eu menos queria estar
Já estive perto do céu louco,
Com raios, trovões e tempestades noturnas
Daquelas que nem mesmo a lua consegue entender
Daquelas que nem mesmo a terra consegue segurar
Por outro lado
Vi estrelas a todo momento
Caindo sobre meu corpo
Dançando diante dos meus olhos sedentos de fantasias
Reinando sobre meu altar de desejos

Vi a noite cair como chuva em meus cabelos
Molhando não só a terra, as flores, a vida
Mas também minha natureza divina
Aquela alma incansável, indestrutível
No qual necessita de noites assim
Para perceber que nada é tão real
Quanto a imagem no espelho
De um rosto que jamais quero desconhecer

sábado, 25 de junho de 2011

Arritmia

Na paranóia delirante de um coração acelerado
E tão morto quanto as folhas secas no chão
Sedento das fortes sensações de um abraço
Carente de um corpo que me faça arder e transcender
Já nem sinto o velho pulmão,
Queimado pelos maços em minha própria ausência
Preciso de ar!

Mas o que posso fazer
Se meu coração e minha mente só ficam em paz
Na presença de olhares sinceros?
A velha necessidade de não estar só
A boa intenção de manter sóbrio meus sentidos
Na confusão dos meus pensamentos,
Minha única vontade é que espero um dia estar
No lugar certo, na hora certa...
Mas o que me garante que não é agora?
Quem arriscou a vida toda nessa busca
Certamente ganhou no final
Mas olhando pra trás, viu que os riscos corridos foram poucos
Que as lágrimas escorridas foram escassas
E não sabe viver
Aquele que não se permite a glória de chorar...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O Tempo

Enquanto isso os dias vão passando
Talvez até mesmo se arrastando
Mas grande é o sol que veêm pra me iluminar
E fiel é o encanto da lua
Que à noite vem anunciando

Não vejo a hora daquele momento chegar
No qual nada mais ilumina e encanta
Do que este sorriso no teu rosto
Que faz de meu momento eternizar

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Instante Inusitado

Com o coração quente, sinto meu interior em labaredas


a esperança de uma vida nova


enloquece minha mente insana


só o que preciso é te ligar uma hora em que tudo isso acontece


ver sua reação


estaria você preparada pra aceitar e conviver com minhas crises?


sua paciencia suportaria?


seu corpo suportaria?


não, não peço que me entendas


não peço que me julgues


só preciso que você escute


meu momento amargo, meu surto calado



não se preocupe, isso tudo passa


são só crises, afinal


não se preocupe, eu jamais vou te machucar





amargo, doce, repugnante


maldito instante em que meu corpo se fecha


sem saber o que fazer e acaba complicando tudo


escolhas perfeitas, escolhas imperfeitas


simplesmente escolhas rígidas me confundem, me enlouquecem


tudo bem, isso não pode me amedrontar


eles não vão nos alcançar


não podem nos focar


só podem continuar com suas estupidas aparências


suas mentiras válidas, por mim invalidadas


no qual o corpo é mais fascinante que o coração


tudo bem, eu tenho forças secretas


eu me guardo, eu me calo


e eu respiro pra não acabar com tudo


na tua magia oculta eu me renovo


acalmo-me


e o meus olhos se fecham, e eu simplesmente me jogo,


me entrego e me envolvo na nossa perfeita simetria...






domingo, 30 de janeiro de 2011

Coisinha de agora



Me ensinaram que viver é melhor que sonhar

mas quem garante que não estamos sonhando?

E que no fim, quando nossos olhos não puderem mais ver esse mundo

não acordaremos pra vida?

E por isso, assim vou vivendo

na locura dos meus sonhos intensos

e assim vou vivendo,

sem medo de viver, de adormecer e acordar na infinitude

E assim vou correndo, sem fugir

com o movimento constante na mente

Porque depois de tempos,

depois que consegui ver as coisas com meu próprio pensar,

descobri que sonhar é melhor que viver

porque pra mim a vida é um sonho,

sem restrições e com todas as intenções...